Os 7 hábitos de pessoas altamente eficazes é um livro de ação. O autor, Stephen Covey propõe-se a reeducar o leitor com as bases estoicas. Afinal de contas, já dizia Will Durant: “uma nação nasce estoica, mas morre epicuriana.” Antes demais, ao longo deste artigo vamos falar-lhe dos hábitos das pessoas de sucesso que este livro ofereceu ao Mundo e que nos poderão guiar e, neste caso, queremos deixar claro que o sucesso é o conjunto de fatores que permite que o indivíduo, como um todo, seja feliz e concretize os seus objetivos.
Será que nestas bases reside o segredo do sucesso? Para saber, vamos procurar um pouco mais sobre estas duas filosofias.

O que é o Estoicismo?

O Estoicismo é uma escola de filosofia helenista que nasceu em Atenas e contou com uma grande adesão por parte da população da Grécia Romana e todo o Império Romano. Esta doutrina cresceu e desenvolveu-se como um sistema integrado pela lógica formal, física não dualista e ética naturalista, articuladas como princípio comum.

Sabe quando alguém lhe estraga o dia? Pois é, os estoicos ensinaram-nos que só existe um responsável nestas situações: nós próprios. Isto porque estas são situações movidas pelas nossas emoções autodestrutivas. Para um estoico, estas ações são consequência de erros de julgamento – fruto da relação ativa entre o Determinismo * cósmico e a liberdade humana. O estoicismo defende ainda que, para viver uma vida boa, é necessário entender as regras da ordem natural, já que estas nos provam que tudo está enraizado na natureza.

* Determinismo: teoria filosófica que defende que todos os acontecimentos são explicados por causalidade.

O que é o epicurismo?

O Epicurismo é um outro sistema filosófico que defende que para atingir um estado de tranquilidade, libertação de medos e sem qualquer género de sofrimento corporal, é necessário procurar os prazeres moderados.

A busca dos desejos pessoais é reconhecida como imperativa à felicidade, sendo que se estes forem excessivos, poderão causar no indivíduo perturbações constantes que dificultarão o encontro dessa mesma [felicidade].

Para este sistema, a felicidade e, por isso, o sucesso do indivíduo, é reconhecido como um dueto entre a manutenção da saúde corporal e da serenidade do espírito.

Nascemos estoicos e tornamo-nos epicurianos com a vida?

“As pessoas felizes lembram o passado com gratidão, alegram-se com o presente e encaram o futuro sem medo.”   – Epicuro, Filósofo Grego

É possível que numa primeira leitura se identifique com esta frase, mas, a criança que um dia viveu dentro de si recusa-se a aceitá-la. A beleza da frase vive na leveza que a traz, mas falta-lhe, no entanto, um equilíbrio com a lógica que, apesar de por vezes nos cortar a respiração, nos eleva racionalmente, enquanto seres humanos.

É verdade que recordar o passado com gratidão é vantajoso para todos. Abraçar os momentos bons, em que fomos felizes; e os maus, em que crescemos, é essencial na busca da felicidade. Contudo, basear a nossa vivência em memórias, apenas guardando-as, sem antes analisá-las e aprimorá-las, seria: se consciente, viver uma vida em constante desevolução; se inconsciente, enganarmo-nos a nós próprios para podermos ser felizes.

A frase de Epicuro começa a ficar mais leve com a sugestão de “alegrar-se com o presente”. É claro que este é um desejo universal, mas a criança que em si habita ambiciona ser uma pessoa bem-sucedida e sabe que, para isso, terá de se colocar muitas questões. Sabe que, para ser eficaz, tem de assumir responsabilidade na criação dessa alegria no presente (para isso, brinca e distribui amor com os seus sorrisos). Tem a humildade para reconhecer quando não sabe mas, confiança no caminho, porque: primeiro, ela sabe que este é um flow normal de conhecimento, sabe que terá sempre perguntas por responder e isso, em vez de assustador, é entusiasmante; segundo, ela sabe que quando responder às perguntas atuais, outras surgirão, e ela identifica isto como evolução do Eu. Não tem medo de fazer perguntas porque não há nada a temer… até ao dia que a sociedade entra e tenta influenciar este à vontade no rumo ao sucesso com, por exemplo, piadas sobre o ritmo de aprendizagem. Nesse dia, é de extrema importância lembrar que a nossa responsabilidade está entre o estímulo e a resposta que decidimos dar (vamos desenvolver esta ideia mais à frente neste artigo).

Finalmente, Epicuro diz-nos que devemos encarar o futuro sem medos, seguindo, por isso, pelo caminho oposto à lógica. Efetivamente a melhor forma de passar pela vida é num estado de equilíbrio, balanceando a emoção com a lógica, mas, nem por isso devemos recusar cegamente uma destas, só porque nos poderá levar a momentos mais desconfortáveis. São estes precisos momentos que nos encaminham para uma vida de sucesso. Somos Homens, e a nossa resiliência e adaptação conforta-nos, abraçando-nos num novo clima de tranquilidade quando a mudança se atravessa à nossa frente. Talvez seja por isso nos recusemos a pensar no que de mau pode acontecer, mas é sem dúvida por não pensarmos que, quando acontece, não estamos preparados. Aqui damos 3000% de nós, quando podíamos dar apenas 50%, caso estivéssemos prontos para entrar em ação. Ter sucesso não é fazer mais, é fazer melhor.

Sabemos que ainda não respondemos à pergunta, mas já lhe proporcionámos o início do pensamento.

Pare, reflita e continue a ler. Volte a ser criança por instantes.

Vamos deixar-lhe mais pistas ao longo do artigo, pois Stephen Covey dá-nos um banho de estoicismo sem referir uma única vez a palavra. No final do artigo, damos-lhe a resposta.

Otimize a sua vida com os 7 hábitos de pessoas altamente eficazes, de Stephen Covey

Stephen Covey pesquisou os últimos 200 anos de literatura relacionada com o sucesso para este livro. Foi durante este período que se apercebeu de uma tendência interessante: enquanto os primeiros 150 anos se focavam na integridade, humildade, coragem e modéstia, ou por outras palavras, na ética do indivíduo; os últimos 50 centravam na imagem pessoal, interações sociais e aparências – a chamada personalidade da ética.

7 hábitos de pessoas altamente eficazes, ou, na sua língua nativa, 7 habits of highly effective people, é um livro que enfatiza uma abordagem “de dentro para fora do indivíduo”, isto é, na ética do personagem.

Da dependência à independência

Hábito 1: Seja proativo

Olhe à sua volta. Pense na sua vida. Quantas coisas podiam ser melhor para si, se alguém tivesse feito algo de forma diferente? Será que o sucesso seria já garantido neste momento, se outros tivessem agido de outra forma para consigo? 

Pare e pense. Depois, volte a ler.

A resposta é nenhuma. Vamos colocar as coisas por outras palavras. De tudo aquilo em que pensou – e sinta-se à vontade para trazer mais assuntos, caso se lembre – vamos seccioná-los dentro de dois círculos: o círculo das preocupações e o círculo de influência. Naturalmente o círculo de influência será notoriamente mais pequeno do que o de preocupações.

Enquanto assuntos como política, economia, opinião e erros alheios são apenas preocupações; a nossa atitude, educação, entusiasmo, hobbies ou os próprios hábitos, são da nossa influência direta.

Posto isto, gastar energias para influenciar o círculo de preocupações é, não só uma perda de tempo, mas também uma atitude reativa ao meio. Pessoas reativas queixam-se de circunstâncias que estão fora do seu controlo, fazendo com que o seu ambiente e respetivas forças externas afetem a sua performance e disposição. Consequentemente, estas pessoas não comandam as suas próprias vidas, escondem-se antes por detrás de desculpas.

Por outro lado, ganhar tempo é sinónimo de dar atenção e tomar a liderança do seu círculo de influência. Para ser bem-sucedido não existe um caminho rápido, tem de ser uma pessoa proativa. Isso significa investir o seu tempo naquilo que controla. Sabe que não deve culpar o “karma”, os outros ou o Mundo pelo que acontece. Mesmo quando não existe verdadeiro controlo sobre uma situação, alguém proativo tem consciência da sua responsabilidade. Mas o que significa responsabilidade? Resposta + habilidade = Responsabilidade. Isto significa que entre o estímulo e a resposta se encontra e responsabilidade de cada um de nós. Repetimos. Entre o estímulo e a resposta, está a sua responsabilidade. Você controla como quer e irá responder ao meio.

Para concluir o hábito da proatividade, enquanto alguém reativo reclama, alguém proativo questiona-se: “Mesmo que isto me afete, como posso trabalhar a situação do meu lado, de forma a suceder?” Consegue perceber o trabalho que advém desta pergunta? É o porquê de escolhermos muitas vezes o caminho mais fácil, ficando a namoriscar com a possibilidade de um dia ter sucesso.  E quando se sentir tentado a fazê-lo, lembre-se:


The impediment to action advances action. What stands in the way becomes the way.
“O impedimento da ação, antecipa a ação. O que se coloca no caminho, torna-se no próprio caminho.”

– Marcus Aurelius


Resta-nos perguntar-lhe: Que tipo de pessoa quer ser? Reativa ou proativa?

Hábito 2: Comece com o fim em mente

Imagine que está a entrar num funeral. Ao aproximar-se do caixão, vê-se. É o seu funeral. Quem estava lá? Como estavam as pessoas? O que dizem sobre si? E porque dizem? Que atitudes teve que o levam estas pessoas a identificar-lo assim? Se pudesse voltar atrás, agiria de forma diferente?

As boas notícias são que, se respondeu que sim à última pergunta, este será de facto um dos poucos momentos na vida em que nos é permitido voltar atrás (piada intencionada).

Se não souber para onde quer ir, como pode lá chegar? Se não definiu o que seria para si uma vida de sucesso, como poderá alcançá-la?

Mesmo aqueles que afirmam saber o que querem e que dão respostas como “quero ser rico”, muitas vezes não pensaram nas implicações, causalidades e consequências deste desejo. Pensam apenas que vai dar certo, pensam no sucesso como sendo apenas um medidor de dinheiro, ignorando os factos e fazendo assim com que a probabilidade de dar errado, aumente. Simplesmente porque não estão preparados. O ser humano não foi trazido apenas para gerar receita, comprar e depois morrer. Na verdade, nós só seremos realmente felizes quando aplicarmos paixão naquilo que fazemos, acrescentando valor. Quando entender isto, verá que existe muito pouca maldade no Mundo, mas muita paixão mal aplicada. Isto significa que para alcançar o sucesso, é imperativo que exista paixão.

Deixe-nos utilizar uma metáfora para facilitar: você escala uma montanha até ao topo. Demorou anos a consegui-lo. Anos a praticar, anos a falhar e, finalmente, conseguiu. Chegou ao ponto mais alto da montanha. Olha em redor e, de repente, apercebe-se que está na montanha errada. Na verdade, está na floresta errada, pelo que terá de iniciar todo o processo de esfoço novamente para conseguir perceber como conseguirá escalar num clima completamente diferente.

Levamos esta falta de visão sobre nós próprios pela vida, influenciando por isso as nossas frustrações e, consequentemente, a forma como nos relacionamos com os outros e como os outros se relacionam connosco. Influenciamos o que nos acontece, mesmo que não o entendamos no momento.

Lembre-se de se perguntar para onde quer ir várias vezes ao longo da vida e responda com a mais absoluta sinceridade, devemo-nos a nós próprios esse respeito. A verdade pode doer, mas nunca mais do que uma mentira e, infelizmente para o ser humano, somos nós próprios a pessoa que nos é mais fácil enganar. 

Convidamo-lo a ser proativo – tomando controlo sobre o seu círculo de influência – tire a venda, mate as dúvidas existenciais sobre as suas capacidades, que podem perfeitamente ser adquiridas ou aperfeiçoadas com o hábito 1. Um dos hábitos das pessoas de sucesso passa por escrever as suas motivações num papel, questiondo-as, persiguindo-as. Você escreve o roteiro da sua vida.

Hábito 3: Defina as prioridades

O que gosta mais de fazer? Arrumar a papelada do trabalho e aturar o vizinho a reclamar do condomínio ou estar com os que ama e investir na sua saúde e educação?

O lado da balança está claro, mas existe uma enorme desconexão entre o que dizemos e o que fazemos. É-nos tão mais fácil ficar a trabalhar até tarde, justificando as horas extra em fatores externos, e depois chegar a casa, frustrados do dia que tivemos, e descarregar naqueles que afinal de contas, começámos por definir como prioridade.

Se o hábito número 2 fala sobre como pode ser o programador da sua vida, o hábito 3 diz-nos para desenvolver o programa. Para agir, precisamos de visão. É aqui que devemos começar a analisar os nossos hábitos e as nossas rotinas, definindo como as podemos otimizar em direção ao sucesso.

A grande questão que se impõe é a gestão do tempo. Temos o hábito de escrever uma lista do que temos a fazer e segui-la rigorosamente de cima a baixo, mas esse método para além de rígido, não é eficaz. Stephen Covey propõe ainda outro exercício que o ajudará a perceber se está ou não na direção certa, e como poderá corrigi-la e/ou otimizá-la.

Pegue num lápis e num papel. Desenhe um quadrado e divida-o em quatro (uma linha central horizontal e outra linha central vertical dentro do primeiro quadrado). Agora tem quatro quadrados, que serão referidos como quadrantes. No cimo, entre os dois quadrados superiores escreva IMPORTANTE e no extremo oposto NÃO IMPORTANTE; à direita, seguindo a mesma lógica, escreva URGENTE e no respetivo extremo, NÃO URGENTE. Temos um gráfico representado com os seguintes quadrantes:

  • Quadrante 1: Importante e Não Urgente (quadrado superior esquerdo)
  • Quadrante 2: Importante e Urgente (quadrado superior direito)
  • Quadrante 3: Não Importante e Urgente (quadrado inferior direito)
  • Quadrante 4: Não Importante e Não Urgente (quadrado inferior esquerdo)

O primeiro quadrante representa tudo aquilo que, dada a sua extrema importância, não poderá apressar para maturar. É reflexo do que necessita de um foco constante e prioritário, tal como: relações humanas, o seu desenvolvimento pessoal e saúde.

O segundo, diz respeito a tudo o que é também importante, mas que exige uma ação imediata, tal como o nosso trabalho e hobbies.

O terceiro quadrante e, infelizmente onde a maioria de nós passa mais tempo, tem que ver com os prazeres que consideramos urgentes, mas que não acrescentam nada de muito importante à vida. É um quadrante representativo de interrupções. Alguns exemplos práticos seriam: alguns telefonemas intermináveis centrados em problemas alheios e excesso de tempo despendido com videojogos.

Finalmente, o quarto e último quadrante abarca tudo aquilo que apesar de consumirmos e fazermos, é trivial ou tempo perdido. Um exemplo disso seria o scroll infinito que alguns de nós fazem nas redes sociais ou emails irrelevantes que paramos para ler.

Agora que já compreendeu, complete os quadrantes e, aquando preenchidos, faça uma pausa para refletir onde está atualmente a investir a maior parte do seu tempo. Saiba conscientemente que o sucesso geral da sua vida se concentra nos dois primeiros quadrantes, e por isso, onde deverá passar mais tempo e que, entre eles, do 1 ao 4 tem as prioridades definidas por ordem decrescente (1 mais importante, 4 menos importante). Com este ponto de partida pode agora redefinir a sua rotina. aquilo que apesar de consumirmos e fazermos, é trivial ou tempo perdido. Um exemplo disso seria o scroll infinito que alguns de nós fazem nas redes sociais ou emails irrelevantes que paramos para ler.

Da independência à interdependência

Antes demais, deixamos-lhe uma curiosidade: sabia que “Eu” foi usado 3900 vezes em 500 conversas de telefone, segundo um estudo da Companhia de Telefones de Nova Iorque? Já seria de esperar que fosse a palavra mais usada, mas os números não deixam de ser surpreendentes.

Até ao hábito 3, segundo este livro de Covey, estivemos a falar de como se tornar independente, mas esta viagem, tem mais um destino! Com base no hábito 1, 2 e 3, partimos da dependência à independência (que a maioria de nós assume como o nível máximo). Agora, passamos para o que Stephen Covey reconhece como o último estágio: a Interdependência. Tenha em consideração que para mover as suas capacidades para a Interdependência, deve tornar-se primeiro Independente (siga os hábitos 1, 2 e 3).

A Interdependência resume-se numa mentalidade de união. A proposta é deixar de pensar no Eu e passar a pensar no Nós, na equipa, na família, nos amigos é um hábito das pessoas de sucesso. Passa por combinar talentos, habilidades e mentalidades para construir algo ainda melhor.

Os próximos 3 hábitos mostram-nos como fazê-lo.

Hábito 4: Pense em vitórias conjuntas e partilhadas (win-win)

Existem 5 tipos de mentalidade no que diz respeito a negociações.

  • Um vence, outro perde OU um perde, outro vence (win – lose ou lose – win)
    Estas pessoas acreditam que para ganhar, a outra pessoa tem necessariamente de perder, tratando de uma negociação como se fosse uma competição. Esta é uma mentalidade pouco abundante e, infelizmente, muito popular nos dias que correm.
  • Quando todos perdem (lose – lose)
    Não sendo benéfico para nenhuma das parte, este tipo de mentalidade fará com que ambos saiam a perder. Um exemplo deste tipo de situações é quando alguém está tão focado em vingança que desfoca dos objetivos.

  • Apenas um lado sai vitorioso (win)
    Neste tipo de mentalidade não existe uma relação, mas sim uma vontade de ganhar, não acrescentando valor em absolutamente mais ninguém. Esta motivação revela egoísmo, uma vez que está apenas concentrada do seu lado da negociação.

  • Sem acordo (no deal)
    Não havendo possibilidade de chegar a um acordo onde ambos vencem, a opção é a própria desistência. Ninguém ganha, ninguém perde.

  • Ambos ganham (win – win)
    Definitivamente a melhor hipótese, onde as duas partes chegam a um acordo, acabando beneficiando de algo. Verifica-se quando alguém pretende algo e, para consegui-lo, pensa também no que pode oferecer em troca desse algo. Revela-se uma mentalidade abundante.

Ponderando no acima exposto, facilmente concluímos que o último tipo de relações é o mais favorável na busca do sucesso. Pretendemos ganhar proporcionando vitórias também para quem nos leva até lá. Para você ganhar, o outro não precisa de perder. Opte por procurar situações que sejam bem sucedidas para todos e, caso não seja de todo possível, prefira terminar sem acordo para que, nem você esteja a fechar portas que precisará abrir no futuro (mesmo quando pensa que não terá), nem ninguém viva frustrações desnecessárias.

Hábito 5: Procure primeiro compreender e depois ser compreendido

Pai e filho têm uma discussão que termina sem o pai entender as atitudes do filho. O pai, Jorge, frustrado, vai ter com um amigo, André e diz (nomes fictícios):
Jorge: – Não consigo perceber o meu filho. Às vezes, ele não me ouve!
André: – Espera lá, deixa ver se percebi… Tu não consegues perceber o teu filho, porque ele não te ouve a ti?! Pensei que para percebermos alguém, devíamos ouvir a própria pessoa.

Parece óbvio, mas fazemos o oposto vezes demais. Geralmente, o que acontece é que, no momento em que ouvimos algo que não queremos ou com o qual não concordamos, chateamo-nos. Criticamos. Esquecemo-nos e, pior, ignoramos que, e como Dale Carnegie nos ensinou, “a crítica é fútil porque coloca as pessoas na defensiva” disse “fazendo com que lutem para se justificar”. A crítica transforma uma oportunidade de compreensão num antro de ressentimento.

Se quer compreender alguém, jamais o poderá fazer através dos seus olhos, já que todos nós vivemos experiências distintas e interpretamos o Mundo de perspetivas diferentes. Para entender, é necessário ouvir com empatia. Realmente ouvir, colocando-se no lugar do outro.

As outras alternativas para ouvir resumem-se a: ignorar; fazer de conta que ouve; ouvir de forma seletiva; e ouvir atentamente. Mas ouvir empaticamente, é ouvir o que o outro diz, consoante quem o outro é, percebendo, por isso, como o outro se sente. A maioria de nós não ouve para compreender, ouve para responder, e ainda assim, nega-se a si próprio que o faz.

Quando alguém de quem gosta lhe trouxer alguma reclamação, pare, e em vez de aconselhar ou repetir o que lhe foi dito, parafraseie. Isto fará com que ambos se sintam do mesmo lado e com que a outra pessoa sinta que pode desenvolver o que acabou de dizer. O tempo de se ser compreendido chega quando a conversa se desenvolve com uma base lógica e quando o conselho/ sugestão lhe é efetivamente pedido(a).


“You can make more friends in two months by becoming interested in other people
than you can in two years by trying to get other people interested in you.”
“Pode fazer mais amigos em dois meses interessando-se por pessoas, do que em dois anos, tentando fazer com que se interessem por si”

– Dale Carnegie

Hábito 6: Sinergizar

O sexto hábito das pessoas de sucesso reconhece que as várias pessoas trazem ao Mundo uma grande riqueza na diversidade das suas diferenças.

Diferentes perspetivas, diferentes objetivos, diferentes visões, diferentes opiniões. Aqui, Stephen Covey sugere que deixemos de tolerar e passemos a aceitar, a celebrar as diferenças! Se colocarmos uma tábua de madeira para suportar peso, podemos aguentar até 10kg. Mas se colocarmos uma em cima da outra, mais do dobro do peso está garantido. A própria natureza é prova disso e, para tal, basta pensarmos em nós: tantos órgãos que sozinhos não nos valiam de nada, mas que em conjunto, formam o ser humano!

Com sinergia, 1 + 1 = 3, 10 ou até mesmo 100. 

Prepara-se para a ação

Hábito 7: Afie a serra

Imagine que vê alguém cortar uma árvore com uma serra pouco afiada. Vira-se para ela e diz-lhe que tem de afiar a serra para conseguir serrar com sucesso. Em resposta, recebe apenas: “eu sei, mas afiar a serra leva tempo”.

Podemos até achar graça a esta história, mas somos demasiadas vezes essa pessoa. Não conseguimos encontrar 30 minutos do nosso dia para caminhar ou ir ao ginásio e trabalhar na nossa saúde, não conseguimos um instante para ler um pouco e improvisar as nossas capacidades, mas temos a audácia de procurar pequenos truques e correções rápidas que nunca irão resolver a raiz dos problemas. Pior, estamos a tornar a nossa vida num ciclo vicioso, em que estamos constantemente a ser colocados perante problemas semelhantes simplesmente porque optamos pelo caminho mais fácil. Nesta pesquisa, poucos são aqueles que param para dizer a verdade e, quando o fazem, muitas vezes são ignorados: não existe o caminho rápido e fácil. O que aparenta ser fácil, é garantido ser mais difícil.


“Our actions may be impeded… but there can be no impeding our intentions or dispositions.
Because we can accommodate and adapt. The mind adapts and converts to its own purpose the obstacle to our acting”
“As nossas ações podem ser impedidas… mas não há impedimento para as nossas intenções ou disposições.
Porque nós podemos acomodar e adaptar-nos. A mente adapta-se e converte para seu próprio propósito, o obstáculo para a nossa ação.”
– Marcus Aurelius

 

7 hábitos de pessoas altamente eficazes é um livro de ação que promete mudar vidas. Neste momento, com esta síntese, já deverá ter a solução à pergunta inicial deste artigo: nascemos estoicos e morremos epicurianos? A resposta é sim e é justificada pelo comodismo e adaptação humana. Com esta informação, poderá até ser reativo, culpar a sociedade e até convencer-se disso mesmo, mas saiba que o caminho da proatividade afirma que o controlo está dentro de si e na sua responsabilidade (a habilidade de resposta que gere entre o estímulo e a mesma).

Lembre-se e aceite que o caminho nunca acaba, que as perguntas surgem sempre, e que o ser humano deverá ser o seu próprio maior colocador de problemas e soluções; mas saiba também que apesar de o caminho ser contínuo, tudo fica mais fácil com a experiência.

Escolha a felicidade!

Gostou deste artigo? Partilhe-o nas redes sociais.