“Depois da tempestade, vem a bonança”

Assim está o mercado de trabalho em Portugal. Depois de alguns anos a retrair, assistimos hoje a uma dinâmica muito distinta. Se por um lado existe um crescimento das empresas, traduzindo-se em muitos casos num aumento do capital humano; por outro lado, a incerteza vivida anteriormente causa alguma apreensão nos candidatos na hora de mudar, pelo receio em arriscar e sair da zona de conforto para um novo projeto profissional.

Enquanto especialistas em recursos humanos, cabe-nos atuar em duas frentes distintas. A vertente do cliente, através de uma ligação estreita e em constante comunicação (também pressionado pela concorrência existente), e a necessidade de inovar metodologias e procedimentos de forma a dar respostas e soluções ao cliente o mais rapidamente possível.

Em segundo lugar, a vertente do candidato e é aqui que enquanto consultores temos que nos distinguir dos demais. Cada vez mais é necessário estabelecer relações de confiança e de proximidade com os candidatos, assegurando um constante acompanhamento alicerçado numa comunicação transparente e direcionada. Com o crescimento económico que se tem vindo a constatar no panorama empresarial do país, a procura de mão-de-obra qualificada tem também aumentado.

O principal obstáculo que se tem verificado nos candidatos deve-se à memória que todos temos do passado, o receio em largar aquilo que temos como garantido e a incerteza em abraçar um novo projeto. Isso tem sido visível quando em processos de recrutamento, já em fases avançadas, os candidatos começam a mostrar-se resistentes e indecisos para uma mudança, nomeadamente nos perfis com maior senioridade. Inevitavelmente, enquanto consultores cabe-nos fazer um acompanhamento ajustado a cada candidato.

Claro que evolução do mercado de trabalho e o crescimento económico não são transversais a todos os setores de atividade, se considerarmos o setor tecnológico como referência, a procura excede largamente a oferta disponível. Os recursos existentes são disputados ferozmente entre as várias consultoras, raras são as vagas que estão em aberto durante largos períodos de tempo e o mesmo candidato é enviado repetidas vezes para o mesmo cliente. É, literalmente, um setor em que os candidatos vão trilhando o seu desenvolvimento profissional (falamos claro a nível das tecnologias que utilizam), são disputados financeiramente pelos players nacionais e onde a rapidez de fecho de processos torna-se imprescindível.

Na maioria dos outros setores de atividade, peca-se precisamente pela falta de rapidez em tomar uma decisão no que concerne a escolha do candidato e a respetiva proposta. Muitas vezes as consultoras esquecem-se que a forma como se trata o capital humano é fundamental também para a taxa de sucesso no fecho de um processo de recrutamento. Enquanto profissionais de recursos humanos devemos por um lado gerir as expectativas do candidato, mantendo-o motivado e agarrado ao projeto, mas também é nosso dever atuar enquanto mediador junto da empresa cliente, para que o processo decorra dentro dos timings estabelecidos e que garanta a satisfação de ambas as partes.

Associada à demora que existe em muitos processos de recrutamento, aumenta também exponencialmente o receio em mudar e a taxa de desistência de candidatos. Na realidade o tempo de resposta das empresas leva a que cresça um sentimento de incerteza no candidato, muitas vezes resultando num recuo da sua intenção em mudar de empresa.

Cabe às consultoras de RH, e por consequência aos seus consultores basear as relações quer com os clientes, quer com os candidatos em princípios de integridade e transparência. Acredito que estes dois pilares asseguram a satisfação e confiança, do nosso cliente (i.e., empresa cliente) e por outro lado, o acompanhamento passo-a-passo do candidato durante todo o processo. Desta forma asseguramos um elevado commitment entre todos.

No futuro, resta perceber quais serão os próximos desafios e obstáculos na gestão de pessoas, e de que forma poderemos colaborar, mantendo sempre um olhar atento para não cometer os erros do passado e a garantir uma positiva evolução do mercado de trabalho em Portugal.

A equipa

Human Profiler