Porque é importante conhecer algumas das perguntas mais difíceis que podem ser colocadas em entrevista de emprego

É importante ter consciência de que algumas das perguntas mais difíceis em entrevista de emprego servem para as equipa de recrutamento terem uma perspetiva mais profunda sobre quem é o candidato e garantir que existe uma ligação plena entre o novo recurso e a cultura organizacional das empresas. Relatos sobre episódios da sua experiência profissional irão auxiliar a análise de quem é responsável pelo recrutamento, na medida em que irão transmitir sinais claros sobre o seu processo de pensamento, lógica e visão num ambiente de trabalho.

Antes de mais, prepare-se da melhor forma para a entrevista:

Organize a informação

O mais importante antes da entrevista, é preparar-se da melhor forma para o momento esperado. Seja a estruturar algumas das respostas para as perguntas mais frequentes que lhe podem ser colocadas ou a pesquisar informação sobre a empresa, é importante ter o seu trabalho de casa feito mesmo antes do dia que pode trazer a sua nova oportunidade.

Mantenha a calma

Por mais motivos que tenha para desejar esta nova oportunidade, saber manter a calma é essencial. Em entrevista, opte por uma postura profissional e mantenha o olhar com o recrutador. Lembre-se que a sua linguagem não verbal é uma forte aliada naquilo que comunica verbalmente.

Prepare questões

Embora neste artigo abordemos algumas das questões mais difíceis em entrevista de emprego, é relevante que reúna também um conjunto de questões para colocar à equipa de recrutamento, com base em dúvidas pertinentes que possa ter sobre a sua possível nova oportunidade de emprego.

Follow up

Numa reunião com recrutadores, e dado o nervosismo associado ao momento, poderá sentir que não respondeu a uma questão da forma mais completa ou, pelo menos, não da forma que idealizaria, uma vez que na altura algo impediu a sua concentração e desvirtuou o seu raciocínio. Não se preocupe é, de facto, uma situação que acontece com bastante frequência. Assegure-se que aponta o contacto de pelo menos um dos recrutadores e poderá, mais tarde, apresentar ou esclarecer algo que não tenha possível concretizar.

Conheça algumas das perguntas mais difíceis em entrevista de emprego que lhe poderão ser colocadas:

Qual o seu maior defeito/fraqueza?

Esteja preparado para falar também das coisas menos boas. É comum os recrutadores procurarem por este tipo de capacidade de análise no candidato. É bastante valorizado ter uma visão realista e sincera sobre as áreas que merecem algum desenvolvimento da sua parte. Numa primeira instância, um ponto negativo não tem necessariamente de ser algo mau. Poderá inverter o cenário e revertê-lo como uma oportunidade de melhoria. Seja uma competência técnica ou uma competência social, não deverá ser um assunto a evitar. Deve, porém, certificar-se de que é um tópico que está identificado e em processo de melhoria. Assim, não só está a aperfeiçoar-se enquanto profissional, como está a apesentar sinas claros sobre a forma como destacou as suas dificuldades e como superou esses obstáculos.

Como gere o stress?

O stress está inerente a muitas profissões. Qualquer que seja a função que ocupa numa empresa terá certamente as suas responsabilidades e isso, poderá em algum momento acarretar algum nível de stress no cumprimento efetivo das mesmas. Com esta questão, o recrutador não pretende apurar se algumas situações lhe poderão criar stress ou alguma tensão, mas sim de que maneira irá gerir esse tipo de situações e a que recursos tem por hábito recorrer para lidar com um dado episódio da forma mais profissional possível e visando o resultado positivo no final.

Fale-me de um episódio em que tenho tido uma dificuldade. Como a ultrapassou?

No seguimento do exemplo de pergunta anterior, poderá ser-lhe colocada uma questão semelhante. Poderá relatar uma situação em que experienciou algum tipo de dificuldade na realização das suas funções e de que forma conseguiu resolvê-la. No fundo, o que os recrutadores pretendem saber com esta pergunta não é se o problema foi ou não solucionado, mas sim de que forma as suas competências sociais, como o espírito de equipa e uma mentalidade problem solver, o auxiliaram a encontrar o caminho certo para a resolução desse episódio.

Porque deixou ou pretende deixar o seu empego?

Responder a esta questão requer que faça uma análise ponderada sobre toda a sua experiência anterior. Esta análise deve contemplar algo que o deixou pouco confortável ou que não correspondeu às suas expectativas. Evite falar em pontos pessoais e foque-se naquilo que realmente o deixa entusiasmado enquanto profissional e que, por algum motivo, não foi realizado na sua plenitude, podendo justificar esta possível transição de emprego. Poderá estar à procura de um cargo em que irá liderar pessoas, ter uma comunicação mais direta com o cliente final, ou simplesmente operar com ferramentas do seu domínio. As motivações poderão ser muitas e isso será um motivo plausível. No fundo, nesta análise com o recrutador está a manifestar sinais sobre aquilo que valoriza no exercício das suas funções, de forma a que também seja possível a este, como recrutador, ajustar o que a empresa possa vir a proporcionar à sua chegada. Lembre-se, evite tornar o motivo demasiado pessoal e não caia no erro de falar mal do seu antigo empregador ou chefias diretas, ou a sua nova oportunidade poderá ser colocada em risco.

Porque tem este gap temporal no seu currículo?

Pode não ser o seu caso, mas existem profissionais que, por algum motivo, apresentam um período de tempo em que, aparentemente, não exerceram funções. Estabelecendo a ligação entre datas, os recrutadores rapidamente se aperceberão disso. As razões poderão ser as melhores, seja por ter optado por fazer uma especialização, um período sabático ou por prestação de auxílio no seio familiar, contudo deverá estar preparado para explicar o que sucedeu para que, em termos profissionais, tenha existido esta pausa.

Qual a sua maior conquista profissional?

Para conhecer o candidato, as equipa de recrutamento poderão querer saber mais sobre as suas conquistas e sobre aquilo que de facto o deixou realizado em atingir. Poderá ser a atribuição de uma promoção e/ou um aumento pela performance de resultados demonstrados, uma venda que resultou num importante cliente fidelizado para a empresa ou a conclusão de uma formação que lhe irá conferir outras oportunidades profissionais.

Seja o que for, se algo marcou realmente o seu percurso profissional apresente esse feito em entrevista. O recrutador vai ter interesse em saber, pois daí irá identificar alguns tópicos que realmente valoriza enquanto candidato e estabelecer uma relação mais equilibrada entre aquilo que procura e o que esta nova oportunidade lhe pode vir a trazer.

Qual a sua espectativa salarial para esta nova oportunidade?

Seja numa primeira entrevista de emprego ou numa fase subsequente, é natural que o tema sobre a remuneração seja colocado em cima da mesa. O salário como um dos subtemas a ser tratado em entrevista, é por vezes ainda visto como assunto tabu e um ponto pouco confortável. Esta pergunta requer alguma preparação prévia, pois é necessário analisar um conjunto de fatores que poderá justificar um intervalo de valores final.

Uma negociação salarial não acontece apenas quando já é colaborador de uma empresa e, após um período, é feito um ajuste de valores, seja por qual motivo for. Acontece também ao longo das fases de recrutamento, em que é necessário ponderar o valor que agrega para a empresa e assim obter um valor final havendo mais ou menos margem negocial. Lembre-se que esta questão não deverá ser respondida de ânimo leve sem que antes tenha existido uma análise ponderada. Caso pretenda, não tem de partilhar a sua remuneração atual. Deve, no entanto, ponderar o pacote remunerativo como um todo e não apenas o que lhe é depositado em conta todos os meses. Exemplo disso serão a mais valias como, equipamentos, prémios de performance, seguros de saúde, fundos de pensões ou outros.

Porque quer trabalhar nesta empresa?

Cada vez mais as empresas procuram pessoas que estejam alinhadas com a sua missão e valores. Existe cada vez mais uma preocupação das equipas de recrutamento em encontrar candidatos enquadrados com a cultura organizacional da empresa. Se pretender destacar-se também neste ponto, o trabalho começa bem antes da reunião com o recrutador. Em casa, faça uma pesquisa sobre a empresa e procure notícias relacionadas, seja pelo lançamento de novos produtos ou outro tipo de conquistas organizacionais. É importante aprofundar o seu conhecimento sobre a empresa para além de um simples anúncio de emprego. Poderá valer-lhe bastante no caso de, eventualmente, encontrar e sintetizar informação sobre a mesma que não se alinha com as suas perspetivas ou, noutro cenário, encontrar mais dados que só vão fundamentar a vontade de vir a integrar a mesma.

O que faz de si um(a) candidato(a) único(a)?

Embora já saiba que é o candidato ideal, deve preparar muito bem uma reposta a esta pergunta. Por se tratar de uma questão cuja resposta pode vir a ser bastante abrangente, tenha cuidado com a posição que adota. Ainda que seja uma pergunta aparentemente simples, facilmente o candidato se coloca com uma postura pouco humilde e se foca demasiado naquilo que sabe fazer, apontando o exemplo de algumas competências mais técnicas. Não está errado, porém existem algumas soft skills que devem ser partilhadas com o recrutador e que são igualmente muito importantes. Para este ponto da conversa deverá aliar o melhor dos dois contextos. Deve evidenciar sim, as suas competências técnicas, mas depois de uma minuciosa análise da empresa, percebendo quais as suas dificuldades e desafios no mercado, apresente de que forma estas poderão beneficiar a empresa para o cumprimento das suas metas de negócio.

Qual o seu objetivo a longo prazo?

Existem características num candidato que vão além daquilo que o mesmo possa referir. A forma como fala de projetos anteriores, a decorrer no presente e que projeta para o futuro diz muito sobre a sua missão enquanto profissional seja em que área for. Mais uma vez poderemos estar diante de uma pergunta que, pela sua dimensão, poderá levar o candidato a divagar. É, portanto, impreterível que faça uma análise ao longo da sua carreira, de modo a ver o que conquistou até ao momento e o que ambiciona alcançar no futuro. Esta é uma observação que deverá fazer não apenas quando procura um novo emprego, mas com alguma frequência para saber exatamente o que fez no passado e o que pretende que o futuro lhe traga. Em conversa com a equipa de recrutamento em entrevista, esta determinação certamente não passará despercebida e será tido como um profissional preciso e decidido.

Se pudesse voltar atrás no tempo, mudaria algo? O quê?

Igualmente, esta questão poderá ser colocada e, em muito casos, os profissionais não estão preparados para uma pergunta neste espectro, tão abrangente e introspetiva. Com esta pergunta, os recrutadores procuram apurar a capacidade de autoavaliação de forma honesta do entrevistado e uma reflexão em pleno sobre os feitos na sua vida. Tenha em consideração que neste momento apenas a sua formação e experiência profissional são relevantes para esta conversa, assuntos pessoais não irão acrescentar valor neste contexto.

Os recrutadores procuram também saber de que forma se adaptou com os resultados que veio a obter em prol dos seus objetivos profissionais. Resiliência é uma característica que deverá sobressair na sua resposta a uma questão deste género.

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